um susto paralisante
num canto da pia
uma barata gigante
gigante mesmo!
um transformer orgânico
uma capivara
gorda e satisfeita
translúcida,
oleosa,
me encara,
lambendo,
chupando,
roendo,
gulosa,
minha escova de dentes.
e eu,
só de cueca,
naquele duelo,
no meio da casa,
zilhões
de
ecos
nos
céus
repletos
de
sóis
da clássica questão:
você é um homem ou um rato?
taquicardia,
adrenalina,
sudorese,
um rato??
[ser ou não ser]
como bruce lee,
reagi,
alcancei o inseticida,
meio tubo,
num segundo,
veneno desgraçado,
piretróide grã-bretão,
ardia,
queimava,
debatia-se,
estrebuchava;
quase morta,
meio torta,
pedia clemência,
alegava inocência,
tarde demais.
orgulho e heroísmo,
um grito de tarzan rasgando a madrugada.
silêncio
no mundo
...o corpo moribundo,
ejetava, lentamente,
atrás do vaso sanitário,
um ovo reluzente,
resistência,
esperança,
a vida diante da morte,
através dos séculos e para sempre.
assassino. assassino. culpado!
remorso
culpa,
vergonha,
ejetava, lentamente,
atrás do vaso sanitário,
um ovo reluzente,
resistência,
esperança,
a vida diante da morte,
através dos séculos e para sempre.
assassino. assassino. culpado!
remorso
culpa,
vergonha,
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